8 DE MARÇO DIA DA MULHER

“Sou filha de uma mulher solteira. Meu primeiro desafio, foi aos oito anos quando a minha mãe faleceu, deixando eu e mais dois irmãos. Após falecimento dela, a minha família colocou eu e minha irmã (gêmeas) em um colégio interno de freira, não me adaptei, alguns meses depois, outra pessoa da família acabou nos adotando. Passamos dos oito até aos dezenove anos morando com ela, também era uma família muito carente, eu e minha irmã com 9 anos, passamos a tomar conta dos filhos dela, pois a mesma tinha que trabalhar, eram 7 filhos.

Aos 14 anos, comecei a trabalhar em uma fábrica, mas não durou muito tempo. Retornando ao mercado de trabalho aos 18 anos em uma grande empresa do Nordeste.

Outro desafio na minha vida foi me casar aos 19 anos, um dos motivos foi por causa da pobreza em que vivíamos na família adotiva. Aos 20 anos fiquei grávida pela primeira vez, acabei perdendo o filho. Aos 21, engravidei pela segunda vez, onde tive uma menina, pouco tempo depois, fiquei grávida novamente, dando a luz a duas meninas (gêmeas), eu com 22 anos.

Eu não vivia bem com meu marido, algum tempo depois das crianças nascerem, começaram as agressões física e psicológica, acabei me separando, onde voltei a morar na casa da família que havia me acolhido quando pequena. Esse momento também foi muito desafiador, me via com três filhas e sem renda nenhuma, eram muitas dificuldades que passávamos. Depois de meu ex me procurar, insistindo para que eu voltasse para casa, dizendo que iria ser diferente e que iria me tratar melhor, cedi, acabei acreditando e voltei para ele, mas nada mudou e quando eu estava com 27 anos, resolvi definitivamente me separar, e voltei para a mesma família.

A batalha foi muito grande para eu conseguir pensão alimentícia (processo muito demora na época), trabalhava em casa de família para sustentar minhas filhas, que naquela época tinham 6 e 7 anos. Eu tive muita dificuldade nesse período e após 4 meses eu consegui um emprego de carteira assinada. Com isso, lutei e comprei um pedacinho de chão e construí uma casinha com três vão, sala/cozinha, quarto e banheiro. Ali a gente se acomodou, muito bem, graças a Deus. Fui juntando dinheiro para conseguir um lugar melhor, com quatro anos depois, consegui comprar uma casa na vila, sempre pensando na melhoria de vida para mim e minhas filhas. Não parei, continuei trabalhando e juntando dinheiro para melhorar a casa. Construir outra casa, aluguei, depois comprei um apartamento, pois, na minha cabeça, como são três filhas, então teria que ter três casas, assim fiz meu “pé-de-meia”.

E assim resumo a minha luta. Criei minhas filhas sozinha, nunca tive outra pessoa para me ajudar sempre fui eu mesmo abaixo de Deus. Sempre tive empregos bons. Acredito que sempre fui uma boa funcionária. E hoje digo: ‘graças a Deus’, pois percebo que se tivesse vivendo com o pai delas eu acho que elas não teriam a educação que tem hoje.

Conclusão: as pessoas me perguntavam por que eu não conheci ele melhor durante meu noivado e o namoro. Mas, vivia na casa de parente e o convívio na época era complicado, não tinha privacidade na casa. Eu tinha muita compreensão, a família me tratou bem. Mas sempre faltava alguma coisa, então quando o conheci eu tinha 16 anos, sonhei em ter ao lado dele uma vida melhor. Não vou dizer que eu fui maltratada nessa casa, mas que faltou privacidade a minha vida faltava, então por isso que me casei. Sempre fiquei fazendo de tudo para viver uma vida melhor com o pai das minhas filhas, mas nunca tive um resultado bom, nunca nunca tive, acho que por isso, também minhas filhas me questionam: “porque você se casou com painho? Ele é tão diferente de você, não tem nada a ver com você” Aí sempre respondo que, por conta da situação de vida que a pessoa está naquele momento, acaba procurando se casar para sair da situação de pobreza. Hoje, pela minha experiência, eu vejo por esse lado, mas graças a Deus isso aí me alertou para eu ter mais cuidado nas minhas escolhas. Por isso, até hoje, nunca encontrei alguém que pudesse me casar de novo, não quis. Nunca deixei de viver, saía, me divertia, mas sempre com respeito. Nunca me prostitui, todos os lugares que eu morei meus vizinhos sempre me admirava, me elogiava pela criação e como eu levava a vida com as minhas filhas. Hoje só tenho a agradecer aos meus amigos também de trabalho, patrão, patroa. Então, para mim isso é uma conquista que eu creio que levei para minha vida.”

 

finte da imagem  (http://jornalatos.net/regiao/cidades/aparecida/ambulantes-denunciam-trabalho-infantil-na-feira-livre-de-aparecida/)
Utilizamos nome fictício de Patrícia para a personagem.

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